Um surto de tensão pode acabar com uma televisão, um computador ou uma geladeira em uma fração de segundo — e, em casos mais graves, oferecer risco às pessoas. O DPS (Dispositivo de Proteção contra Surtos) existe exatamente para evitar isso.

O que é o DPS e por que ele importa

Pense na eletricidade que chega em casa como a água em uma mangueira: a pressão normalmente é estável, mas de vez em quando pode haver um pico repentino — um "surto". O principal causador é o raio, mesmo quando cai longe da residência, mas manobras na rede elétrica e curtos-circuitos também geram surtos.

O DPS funciona como uma válvula de segurança instalada no quadro de luz: ao perceber o excesso de tensão, ele desvia essa energia para o aterramento antes que ela chegue aos seus aparelhos. Sem essa proteção, um surto pode inutilizar equipamentos instantaneamente e, em casos extremos, causar incêndio.

As três classes de DPS Diagrama mostrando DPS Classe I na entrada de energia, Classe II no quadro de distribuição e Classe III na tomada do aparelho. I CLASSE I Entrada de energia II CLASSE II Quadro de distribuição III CLASSE III Tomada do aparelho
Cada classe de DPS protege uma etapa diferente do caminho da energia até o seu aparelho.

As três classes de DPS

Classe I — proteção na entrada

Instalada na entrada de energia da casa ou em locais com maior exposição a raios. É a proteção mais robusta, pensada para surtos diretos e muito fortes.

Classe II — a mais comum em residências

Instalada no quadro de distribuição, é o tipo mais indicado para a maioria das casas. Protege contra surtos indiretos e complementa a Classe I — é essa a proteção principal dos seus aparelhos.

Classe III — proteção pontual

Instalada direto na tomada ou em filtros de linha, protege um aparelho específico e mais sensível, complementando as outras classes.

Na maioria dos casos residenciais, o essencial é ter ao menos um DPS Classe II bem instalado no quadro de luz.

Como escolher o DPS certo: 3 números importantes

1. Nível de proteção (Up)

É a tensão residual máxima que passa para a instalação. Quanto menor esse número, melhor a proteção — o recomendado é escolher um DPS com no máximo 1,5 kV.

2. Corrente máxima (Imax)

É a corrente que o DPS consegue desviar para a terra sem se danificar. Para uso residencial, os valores mais comuns de Classe II são 20 kA ou 40 kA — em regiões com mais incidência de raios, vale optar pelo de 40 kA.

3. Número de polos

  • Casa 110V/127V (fase + neutro): geralmente 1 DPS para a fase, e outro para o neutro se o aterramento permitir.
  • Casa 220V (duas fases + neutro): um DPS para cada fase, e mais um para o neutro quando o aterramento estiver adequado.

O DPS só funciona corretamente se a casa tiver um bom sistema de aterramento. Sem o fio terra funcionando, a proteção perde o efeito.

A instalação é tão importante quanto a escolha

Escolher o modelo certo é só metade do trabalho — a outra metade é a instalação, que precisa ser feita por um eletricista qualificado, capaz de garantir que o aterramento esteja funcionando e que a ligação dos fios esteja correta.

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